O sonêto 11 de Luiz Vaz de Camões, foi adaptado musicalmente pelo grupo "Legião Urbana". Sua forma original é tirada do texto bíblico 1 Coríntios 13


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?




Arde a madrugada

dos nossos lábios

tangem cordas de oiro e prata

os nossos dedos



Transportamos labaredas

cingidas

nas línguas

aneis de fogo

no interior do corpo



Sem regresso

caminhamos

por sobre as águas

exaustos de salivas



mas dos lábios

saltam faúlhas que nos alimentam

até arder de novo a madrugada








No meu peito arde em chamas abrasada

A pira da vingança reprimida,

E em centelhas de raiva ensurdecida

A vingança suprema e concentrada


E espuma e ruge a cólera entranhada,

Como no mar a vaga embravecida

Vai bater-se na rocha empedernida,

Espumando e rugindo em marulhada


Mas se das minhas dores ao calvário,

Eu subo na atitude dolorida

De um Cristo a redimir um mundo vário,


Em luta co'a natura sempitema,

Já que do mundo não vinguei-me em vida,

A morte me será vingança eterna.